Partindo de uma experiência particular, ocorrida na última semana, resolvi analisar o uso discursivo das imagens dos telejornais.
A profusão e o bombardeamento de imagens a partir da possibilidade de sua reprodutibilidade técnica geraram um “esvaziamento” de sentido e uma necessidade premente da “captura” da audiência através de usos discursivos de imagens e de técnicas que visam a identificação e aproximação.
Tais “técnicas” são incorporadas aos dispositivos, via de regra intencionalmente, gerando processos e fluxos que aproximam e garantem identificação, validando as mensagens e enunciados.
A TV, tomando-se como objeto empírico os telejornais, utiliza-se de discursos “codificados” nas imagens proferidas para produzir uma aproximação com o interlocutor, suas vivências e sua cultura.
A partir da utilização semiótica de cores, planos, ângulos, cenários e elementos para noticiar, criam-se experiências fruidoras e, por vezes, estéticas, a partir das pequenas crises do cotidiano, propiciando uma circulação cada vez maior dos enunciados.
A maioria dos telejornais utiliza o azul como cor de fundo. Mais do que, num primeiro momento, facilitar a aplicabilidade técnica de imagens sobre o fundo, trabalha no subconsciente a idéia de verdade na “notícia” proferida. Uma vez que a cor, conforme explicita Luciano Guimarães, no livro “As cores na mídia”, “carrega” o sentido celeste que nos encobre a cabeça e jamais cairá sobre nós, o céu enquanto divindade, a casa de Deus, a verdade suprema.
Em comparação, há um telejornal que traz no seu fundo o vermelho na tentativa de identificação não apenas com a mineiridade traduzida a partir do signo “bandeira”, mas correspondente a linha editorial trabalhada pelo telejornal, ancorada na ambigüidade de “notícias” puras, singelas, emocionais e enunciados mórbidos, grotescos, sensacionalistas, calcados na sublimação.
Os planos gerais aproximam a audiência da prática da produção da notícia, na medida em que denotam o trabalho das redações e a função da ancoragem como resultado da produção. Da mesma forma, os planos mais fechados (americano, close), colocam olhos nos olhos, âncora e telespectador e transportam a figura do apresentador para o sofá ou a sala de estar.
As coberturas de guerras, batidas policiais e eventos “de ação” sempre trazem, não fortuitamente, ângulos oblíquos “tradutores” da intempestividade e profusão psicológica vivida.
Com a crescente utilização de portais de notícias e ferramentas, noticiosas ou não, na web, os telejornais têm incorporado elementos imagéticos discursivos típicos do meio internet em seus cenários e elementos utilizados para “tradução” ou “simplificação” da notícia.
Cenários com cores berrantes e desenhos arquitetônicos futuristas que se assemelham a ambientações de jogos de computador são incorporados juntamente com elementos tecnológicos que traduzem gráficos, colocam em primeiro ou segundo planos determinados assuntos, estabelecem interface com a audiência e com experiências vividas por ela.
Elaine da Silva

Vou pensar melhor sobre isso.
ResponderExcluirabs,
Ronaldo