segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Conferência Nacional da Comunicação: o que realmente pode mudar?




A realização da Conferência da Comunicação levantou alguns pontos de discussão no Brasil. Como participante de um seminário sobre o tema, realizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no último dia 27 e que antecedeu a Conferência de Minas Gerais, farei aqui neste blog algumas considerações a respeito desta proposta de discussão das práticas da comunicação no Brasil.


Na pauta de debates dos municípios da Grande BH, um dos temas tratados foi a crescente presença da Internet no dia a dia da população e os desafios ainda existentes nas práticas de comunicação no país. A abertura de oportunidades para a participação popular no ambiente virtual também esteve entre os assuntos tratados.

A criação de mecanismos para alavancar o acesso à Internet, por exemplo, foi uma das contribuições deixadas por um dos palestrantes, o professor de pós-graduação da Faculdade Casper Líbero, de São Paulo, Sérgio Amadeu. O especialista ressaltou a necessidade de se implantar, prioritariamente, a rede mundial via banda larga em todos os municípios do Brasil.

A liberdade de imprensa na Internet também foi destaque entre as discussões. O tema foi abordado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. Para o profissional, a comunicação no país segue um modelo centralizador, com poucos grupos dominando a produção e veiculação de conteúdos.

Na Conferência Estadual, os temas tratados não fugiram ao que foi discutido pela Região Metropolitana de BH. O site www.proconferencia.org.br noticia os principais assuntos abordados na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, entre os dias 13 e 15 de novembro. Em todos os três eixos temáticos (Meios de Produção, Meios de Distribuição e Cidadania: Direito e Deveres) ficou claro o objetivo dos participantes de democratizar a comunicação do Brasil.

No entanto, uma conferência que foi proposta para ser um espaço de busca da convergência de opiniões entre os segmentos empresarial, social e do poder público se mostrou um verdadeiro campo de guerra em Minas Gerais. No último dia de aula da matéria Gestão de Veículos da Comunicação, do curso de pós-graduação “Gestão Estratégica da Comunicação” do IEC, na PUC MG, o professor Mozahir Salomão levantou questões que merecem ser discutidas.

Segundo ele, a definição dos delegados de MG, assim como noticiado no site já mencionado, foi marcada por uma verdadeira falta de consenso. Os grupos minoritários da sociedade fizeram discursos fervorosos para poderem se tornar representantes do segmento social. E, a grande maioria conseguiu o seu objetivo.

Diante dessa realidade me pergunto. A sociedade está pronta para discutir a comunicação no Brasil? A forma como foi definida a representação dos grupos realmente foi funcional? Por que será que na Conferência da Saúde, o público relacionado às áreas afins realmente são aqueles que discutem os problemas do campo de conhecimento e na comunicação isso não acontece? Os interesses reais são quais? E de quem?

Respostas não tenho. Mas acredito que cada sociedade merece a mídia que tem. Torço muito para que a sociedade e o poder público brasileiro reconheçam a importância de se discutir a comunicação no país. Até lá fico feliz por, pelo menos, tentarmos começar a discussão.

Jociane Morais

BIBLIOGRAFIA:

http://proconferencia.org.br/textos/noticias/etapa-mineira-encaminha-700-propostas-a-confecom/

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